A bondade passiva, a proatividade como fator de expansão da consciência e mais um pouco de autoconhecimento - eu mesma reconhecendo meu egoísmo.
"Há uma diferença entre a bondade passiva e ativa bondade. Este último é, na minha opinião, a doação de seu tempo e energia no alívio da dor e do sofrimento. Implica sair, encontrar e ajudar aqueles que estão sofrendo e em perigo e não apenas em levar uma vida exemplar, de uma pura forma passiva de fazer nada de errado." (1)
Hoje estava conversando com um amigo e comentando o fato de me descobri, nos últimos tempos, um pouco mais egoísta do que gostaria de ser. Claro, todo nós temos egoísmo dentro de nós, isso foi implantando em nossa consciência desde muito tempo atrás - ainda que não seja possível trazer o registro.
"O mundo é um lugar hostil e inseguro" é o que ouvimos falar.
"Precisamos nos proteger" é a mensagem que as pessoas sempre passam no olhar.
Pra você, isso faz sentido?
Você ouve os surdos gritos das pessoas? As caras estampadas de pânico?
"Não posso chegar atrasada no trabalho" (medo do meu chefe me dar uma bronca);
"Essa pessoa é mais bonita que eu (medo de não ser desejado);
"Ele tem mais dinheiro do que eu (medo de não ser respeitado);
Então criamos mecanismos de defesa pessoal para não nos machucarmos. Deixar de se envolver é uma espécie de bloqueio. Trabalhar incessantemente na conquista de um patrimônio é outro meio de se proteger.
Em encontro ao discurso espiritualista - de que isso é falta de confiança em Deus ou no Universo - eu penso que ficamos tão condicionados a tais comportamentos (que vem do MEDO ORIGINAL) que usamos a maior parte do nosso tempo pensando: EU, EU, EU.
Por exemplo, eu estive irritada há algum tempo atrás, com um roommate que eu considerava extremamente individualista e ególatra. E estudando algum material, ocorre-me a velha máxima dos estudantes de psicologia, de que a maioria das coisas que nos incomoda nos outros, são aspectos que não enxergamos dentro de nós.
A primeira reação claro, do meu ego sempre alerta, foi mexer o dedinho dizendo: "Não, Não, Não. Você se incomoda porque o cara é um mala mas você não tem nada de egoísta".
Só que naquele momento eu já estava mais preparada, então botei o ego pra correr e fui levantar o tapete.
Eu poderia dizer que não foi muito agradável observar o quanto eu me colocava na posição de "coitadinha" para não ajudar as pessoas. Quanta autosabotagem e quanto egoísmo descobri!
Eu concordo com o autor da citação que abriu esse texto. A bondade ativa é a doação de tempo e energia no alívio do sofrimento do outro.
Mas eu acho que posso interpretar de uma forma diferente o segundo termo. A bondade passiva não é somente ter uma vida exemplar ou não fazer nada de errado. Muito mais: é ENXERGAR a dor do outro e IGNORAR. Ignorando assim, o fato de que todos estamos conectados por fios invisíveis pelo Universo. De que somos todo um só organismo.
Você vê um morador de rua, passa por ele e ignora, certo? Pelo menos eu sou assim. Evito até o olhar.
Mas que tal oferecer algo para ele comer? Ou simplesmente enviar uma corrente amorosa para aquele seu irmão em necessidade?
Esse é o problema da sociedade atual e, sem querer me boicotar novamente, deixo de lado a generalização e afirmo, ao menos, que esse é o meu problema pessoal.
Eu devo, sim, fazer o que eu acho que pode ajudar as pessoas, sem me envolver com a dor do outro, pelo contrário, envolver a dor dele no meu amor.
Deixar de curar o outro é protelar a cura em si mesmo.
Deixar de estender a mão para que o outro possa levantar é tirar, de si mesmo, a oportunidade de sua própria ajuda - ser seu melhor amigo.
Morrer mais um pouquinho para os seus defeitos.
Dar um pouquinho mais de força às crenças que te limitam e te isolam na ilusão da separação.
É deixar de ser um ser em essência.
É deixar de ser amor.
Dar um pouquinho mais de força às crenças que te limitam e te isolam na ilusão da separação.
É deixar de ser um ser em essência.
É deixar de ser amor.
PS: como a gente pode querer deixar de ser e sentir amor?
(1) Nicolas Winton - britânico que organizou o resgate de cerca de 669 crianças judias na antiga Tchecoslováquia, salvando-as da morte certa nos campos de concentração nazistas antes do início da Segunda Guerra Mundial)
http://escritoporeles.blogspot.com.br/2010/05/ha-uma-diferenca-entre-bondade-passiva.html
(1) Nicolas Winton - britânico que organizou o resgate de cerca de 669 crianças judias na antiga Tchecoslováquia, salvando-as da morte certa nos campos de concentração nazistas antes do início da Segunda Guerra Mundial)
http://escritoporeles.blogspot.com.br/2010/05/ha-uma-diferenca-entre-bondade-passiva.html

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